Janeiro Roxo: HC-UFMG faz conscientização sobre combate à hanseníase
Brasil é o segundo país com maior índice de casos da doença; Hospital das Clínicas é referência estadual para diagnóstico e tratamento
No Brasil, desde 2016, por iniciativa do Ministério da Saúde (MS), o mês de janeiro ganha a cor roxa para organizar ações nacionais de conscientização e prevenção contra a hanseníase que, ainda cercada de preconceitos, tem cura e é tratada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). O Hospital das Clínicas (HC) da UFMG, vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), é centro de referência estadual para diagnóstico e tratamento da doença.
De acordo com o dermatologista e coordenador dos trabalhos com hanseníase no HC, Marcelo Grossi, trata-se de uma doença infecciosa, causada pela bactéria Mycobacterium leprae e que afeta tanto os nervos periféricos quanto a pele da pessoa com predisposição genética. “A transmissão ocorre pelas vias aéreas de pessoas doentes e não tratadas, como acontece com a tuberculose”, explica o médico. “Mas, não há risco de transmissão por alimentos ou objetos da pessoa doente. A hanseníase não é altamente contagiosa e nunca é preciso isolar a pessoa. Tão logo o tratamento é iniciado, as bactérias são mortas”, completa.
Inicialmente, a hanseníase se caracteriza pela presença de dormência e formigamento pela pele, geralmente acompanhados de manchas brancas ou vermelhas, caroços e inchaços. Ainda segundo Marcelo Grossi, a suspeita do diagnóstico pode ser feita pela própria pessoa, observando esses sinais no próprio corpo. No entanto, a doença pode ser confundida com outros quadros de saúde. “Muitas doenças da pele e dos nervos periféricos são parecidas com hanseníase. A confirmação do diagnóstico é feita pelo médico através do exame da pele e dos nervos periféricos, e de alguns exames de laboratório”, assinala.
O tempo entre o contágio e o surgimento dos sintomas é longo e pode variar de três a sete anos, com relatos de períodos de incubação ainda maiores. Sem tratamento, ou em casos de diagnóstico tardio, a hanseníase gera sequelas que podem ser permanentes, incluindo deformidades, perda irreversível de sensibilidade nos membros, danos neurológicos e até amputações.
Tratamento
Atualmente, o tratamento disponível é a poliquimioterapia (PQT), que combina três antibióticos: rifampicina, clofazimina e dapsona. O esquema terapêutico é oferecido gratuitamente pelo SUS e está disponível no HC-UFMG.
“O HC conta com um centro de referência estadual que atende a todos os casos encaminhados com suspeita ou algum tipo de complicação da doença. A marcação é feita por solicitação do profissional de saúde, que envia e-mail com os dados do paciente”, destaca o coordenador.
Desafios
Para Marcelo Grossi, os maiores desafios no combate à doença são o diagnóstico complexo e os preconceitos. “Como a hanseníase tem características de doença crônica, os sinais e sintomas se desenvolvem muito lentamente e isso pode fazer com que a pessoa que os manifesta, ou o profissional de saúde que acompanha aquele indivíduo, não lhes dê a devida importância, por exemplo, quando se tem uma mancha pequena com anestesia que surgiu na pele há muitos anos”, analisa, enfatizando que isso pode retardar o diagnóstico e fazer com que a pessoa seja diagnosticada já com sequelas neurológicas instaladas.
Outro ponto é a crença de que a doença tenha sido eliminada do Brasil ou que só se manifesta em pessoas com higiene muito precária. O estigma associado à hanseníase também dificulta os esforços para interromper sua transmissão. “A hanseníase deve ser vista como uma infecção que tem tratamento e cura”, ressalta o dermatologista. “O desconhecimento e o medo do diagnóstico, o contágio e a rejeição fazem com que as pessoas ignorem o problema”, conclui.
Rede Ebserh
O HC-UFMG faz parte da Rede Ebserh desde dezembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.