Estudo da UFMG revela disparidades no atendimento odontológico para dor de dente no Brasil
Um novo estudo realizado por pesquisadores da UFMG revela importantes resultados sobre a morbidade associada à dor de dente e o acesso a serviços odontológicos no Brasil. Publicado no final de 2024 na Brazilian Oral Research, o artigo Dental appointments in the primary health care setting for users with toothache: a longitudinal analysis investiga dados de atendimentos odontológicos em 5.332 municípios brasileiros entre 2018 e 2022, destacando as diferenças no acesso aos serviços de saúde bucal. Os dados mostraram que as taxas variam significativamente de acordo com o tamanho populacional dos municípios.
A publicação é um resultado da pesquisa de mestrado de Fabiano Costa Diniz, egresso da pós-graduação da Faculdade de Odontologia (FAO) da UFMG, no contexto do MonitoraSB (@monitorasb_). O projeto é uma proposta de monitoramento e avaliação dos serviços de saúde bucal na Atenção Primária à Saúde (APS), criada por pesquisadoras e pesquisadores do Núcleo de Estudos e Saúde Coletiva Paixão da FAO.
A pesquisa, que utilizou dados do Sistema de Informação da Atenção Básica, analisou o indicador taxa de consultas odontológicas para usuários com dor de dente, que integra a matriz avaliativa construída pelo MonitoraSB. O indicador estima a taxa de morbidade associada à dor de dente entre usuários de serviços de saúde bucal na APS. Os pesquisadores aplicaram um modelo estatístico para avaliar as variações nas taxas de atendimento ao longo do tempo, especialmente em relação ao impacto da pandemia de covid-19.
Principais descobertas
A análise revelou uma redução significativa nas consultas odontológicas durante os períodos críticos da pandemia, evidenciando o impacto da crise de saúde pública no acesso aos serviços. Além disso, municípios de diferentes tamanhos populacionais apresentaram padrões distintos de utilização dos serviços, sugerindo a necessidade de políticas de saúde mais direcionadas e adaptadas às realidades locais.
"Os resultados deste estudo são cruciais para entender como a dor de dente, uma das principais razões para buscar tratamento odontológico, é tratada em diferentes contextos no Brasil", afirma Fabiano Costa Diniz, autor principal do estudo. "É fundamental que as políticas de saúde pública considerem essas diferenças para garantir que todos os cidadãos tenham acesso a cuidados odontológicos adequados."
Os pesquisadores enfatizam a importância de estratégias de saúde pública que abordem as especificidades regionais e melhorem o acesso aos serviços de saúde bucal, especialmente em tempos de crise.